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ciência  relativa  do  segundo,  em  dado  momento,  quer  em  têrmos  operativos,  quer  cm


                                             capacidade  de  mobilizar  poupanças  efetivas  da  coletividade  para  investimento.  A

                                              experiência  de  nossos  dias  demonstra  que  quanto  mais  capaz  foi  uma  nação  de  de­


                                              senvolver  a  livre  emprêsa,  no  mundo  democrático,  mais  próspera  se  tornou.






                                                                Tentemos  avançar  um  pouco  nossa  análise  focalizando  o  problema  da  ener­


                                              gia  elétrica  no  Brasil,  para  dela  recolhermos  lições  aplicáveis  a  outros  setores.  Se  é

                                              correta  a  observação  de  que  a  estatização  de  serviços  de  eletricidade  entre  nós  tem


                                              sido  motivada,  basicamente,  pela  incapacidade  financeira  dos  empresários  privados,


                                              deveriamos  aceitar  a  conclusão  de  que,  uma  vez  readquirida  por  êles  a  necessária


                                              capacidade  de  investimento,  devesse  êsse  setor  voltar  à  responsabilidade  da  emprêsa


                                              particular.  Não  é  difícil  perceber-se  que,  atingida  uma  razoável  estabilidade  mone­

                                              tária,  o  mais  justo  e  eficiente  processo  de  captura  de  capitais  para  investimento  na


                                              eletricidade  estará  na  venda  de  ações  ou  obrigações  ao  público  em  vez  de  cobrança


                                              de  impostos  especiais  para  investimento  elétrico.  Essa  venda  de  ações  estará  natu­


                                              ralmente  condicionada  à  garantia  de  uma  razoável  remuneração  do  capital,  atra­

                                              vés  de  uma  política  tarifaria  realista,  que,  num  clima  de  estabilidade  monetá­


                                              ria,  é  de  aplicação  fácil.  Será  também  condicionada  á  existência,  no  País,  e,  mais


                                              particularmente,  no  Estado  ou  na  Região  a  ser  servida  pela  eletricidade,  de  pou­


                                             panças  razoáveis,  em  busca  de  aplicações  permanentes  e  seguras.





                                                                 Essa  última  condição  nos  indica  que  o  processo  de  intervenção  estatal  no


                                              campo  da  eletricidade  como  na  maioria  das  indústrias  de  base,  deve  ser  reversível.


                                             Teve  justificativa  aceitável  quando  não  havia  nível  de  renda  “per  capita”  e  de  pou­


                                              panças  adequadas,  mas  não  mais  se  justificará  quando  os  excedentes  de  ren­

                                              da  puderem  atender  ao  autofinanciamento.  Uma  análise  mais  profunda  dêsse


                                              tema  demonstrará  que  é  socialmente  injusta  a  capitalização  estatal,  por  meio


                                              de  impostos  em  setores  como  da  energia  elétrica,  quando  a  região  tiver  condi­


                                              ções  de  renda  que  permitam  o  financiamento  da  expansão  de  seus  serviços  in­


                                              dustriais  de  utilidade  pública  pelos  usuários  dêsses  serviços.  Essa  discussão  nos

                                              leva  a  concluir  que  o  tolerável  seria  uma  intervenção  estatal  na  fase  pionei­


                                              ra  da  região,  como  instrumento  de  “demarragem”  de  um  processo  de  indus­


                                              trialização,  feita  com  os  cuidados  necessários  e  a  intenção  de  tornar-se  um


                                              dia  reversível,  isto  é,  de  voltar  a  ser  de  responsabilidade  da  emprêsa  privada,

                                              aberta  à  participação  dos  consumidores.  Para  isto,  tal  emprêsa  deverá  lutar  por


                                              manter  os  mesmos  índices  de  produtividade  por  que  lutaria  a  emprêsa  privada.


                                              Há  uma  fase  do  desenvolvimento  em  que  a  construção  de  usinas  e  sistemas  elétri­


                                              cos,  por  exemplo,  é  um  pesado  ônus  para  a  coletividade.  Quando,  entretanto,  um


                                             povo  adquire  um  certo  grau  de  riqueza  verifica  que  a  energia  elétrica  mais  cara  é

                                              a  inexistente,  aquela  que  impede  a  expansão  de  tôdas  as  atividades  econômicas.  Êste


                                              comentário  no  momento  em  que  se  instala  a  Eletrobrás,  com  tôdas  as  caracterís­


                                             ticas  de  emprêsa  estatal  fracassada,  deve  ser  considerado  como  um  depoimento  me­


                                              lancólico  de  quem  prevê,  sem  a  menor  sombra  de  dúvida,  o  destino  lastimável  do

                                             suprimento  de  eletricidade  no  Brasil,  pelo  menos  enquanto  não  se  revelar  algum


                                              “Gosplan  Caboclo”  que  porventura  exista  na  imaginação  dos  que  manipulam  o  de­


                                             sespero  do  povo  como  instrumento  de  implantação  do  comunismo  no  Brasil.






                                                                                                        CAPITALISMO  NO  MUNDO  DA  RIQUEZA





                                                                 Vamos  analisar  mais  adiante  outros  aspectos  das  relações  do  Estado  e  da  Em­


                                             prêsa  industrial,  no  âmbito  da  democracia  que  sonhamos  consolidar  no  Brasil.  Faça­


                                             mos,  entretanto,  uma  pequena  digressão,  para  tentarmos  trazer  a  nosso  argumento


                                             alguns  conceitos  de  uma  grande  lição  de  Von  Mises,  que  precisa  ser  aprendido  e  in­


                                             cutida  no  âmago  do  pensamento  de  nossas  classes  dirigentes,  para  que  se  libertem


                                             de  dúvidas,  perplexidades  e  injustificados  complexos  de  culpa:





                                                                                   “O  que  caracteriza  o  capitalismo  moderno  é  a  produção  em  massa  des­


                                                               tinada  ao  consumo  das  inassas”.






                                                                Por  isto,  êle  se  define,  no  estágio  atual  da  tecnologia  e  da  vida  política,  como


                                            o  sistema  econômico  socialmente  mais  justo,  que,  para  progredir,  exige  continuado


                                            aumento  do  “standard”  de  vida  das  massas  consumidoras.  O  néoliberalismo  capita­


                                            lista  longe  de.  transformar  o  homem  comum  em  proletário,  e  tentado  e  finalmente


                                            forçado  a  elevá-lo  ao  nível  social  do  burguês  abastado,  porque,  para  se  expandir  e


                                            sobreviver,  exige  o  progressivo  enriquecimento  das  massas  consumidoras.  Esta  é


                                            uma  situação  completamente  diferente  da  existente  nos  primórdios  do  capitalismo,
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