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economia  brasileira,  mas  estão  prestes  a  se  transformarem  em  zonas  cancerosas,


                              capazes  de  ameaçar  o  organismo  inteiro,  se  não  sofrerem  um  processo  cie  estirpa-


                             ção  ou  isolamento.  Nelas  o  entusiasmo  e  o  estímulo  ao  trabalho  criador  é  pcriòdi-



                             camente  aniquilado  por  intervenções  descabidas  c  perturbadoras  de  detentores  do


                             poder  estatal,  e  só  uns  poucos  idealistas  conseguem  lutar  para  que  a  moléstia  não


                             atinja  a  cédula  que  tem  sob  o  seu  comando.






                                                 Ainda  que  convencido,  hoje,  do  malefício  básico  fundamental  e  irreparável,



                             resultante  fatal,  a  longo  prazo,  da  intervenção  do  Estado,  não  me  permito  silenciar


                             a  admiração  que  cultivo  por  alguns  poucos  núcleos  de  homens  excepcionais,  que  não


                             se  deixam  contaminar  no  clima  de  irresponsabilidade  a  que  as  flutuações  e  mudan­



                             ças  dos  quadros  políticos  condenam,  sem  apelação,  a  Emprésa  Estatal.






                                                O  mais  grave,  entretanto,  é  que,  insensivelmente,  criou-se  de  fato  completa



                             e  absoluta  liberdade  de  intervenção  estatal,  no  Brasil,  sem  que  se  obdeçam  quais­


                             quer  das  limitações  de  texto  e  de  espírito,  das  leis  existentes.  De  início,  as  compa­


                             nhias  de  economia  mista  foram  criadas  por  lei,  porque  se  exige,  na  Constituição  Fe­


                             deral,  que  todos  os  dispêndios  e,  conseqllentemente,  investimentos  da  União  constem



                             de  seu  orçamento  ou  de  outra  lei  especial.  Até  mesmo  no  período  de  Ditadura  do


                            Estado  Novo,  leis  especiais  autorizavam  cada  nova  intervenção  direta  do  Estado


                            como  empresário  ou  agente  econômico.  Hoje,  quase  tôdas  as  indústrias  brasileiras,


                            especialmente  as  de  porte  médio,  correm  o  risco  de,  ao  amanhecer,  terem  notícia



                            de  que  uma  concorrente  estatal  vai  ser  instalada,  sob  os  auspícios  das  grandes  “Hol­


                            dings”  governamentais.  Pelo  que  consta,nada  impede  que  a  Petrobrás  crie  uma  fá­


                            brica  de  “Quina  Petróleo  Bentevi”  ou  que  a  Rêde  Ferroviária  Federal  organize  uma


                            subsidiária  para  fabricar  “Colchões  de  Espuma  Sonho  da  Juventude”  ou  “Picolé


                            Expresso  do  Sertão”.  Na  verdade,  de  quando  em  vez,  se  noticia,  com  suspeitosa



                            discrição,  que  o  Banco  Estatal  “FULANO”  ou  a  Autarquia  Regional  “SICRANA”


                            encampou  tal  emprêsa  ou  criou  tal  outra,  na  mais  completa  e  desarticulada  política


                            de  relações  entre  o  Estado  e  as  Emprêsas  Privadas.  Se  formos  examinar  mais  a


                            fundo,  talvez  verifiquemos  que  a  inexistência  de  limitações  legais,  bem  claras,  criou



                            um  mecanismo  de  intervenções  que,  lenta,  suave  e  tranqüilamente,  sugará  até  a


                            última  gota  de  sangue  e  de  vida  da  livre  emprêsa,  no  Brasil,  sem  grandes  ofensas


                            à  mais  pura  “legalidade”,  e  com  aplausos  entusiastas  de  alguns  empreiteiros  ou


                            fornecedores  de  fortuna  fácil  e  grande  prestígio.  É,  também  inconcebível  que  enti­



                            dades  de  presumida  representação  de  empresários  não  tenham  podido  evitar  que


                            seus  supostos  porta-vozes  sejam  arautos  de  tipos  espúrios  de  intervencionismo  es­


                            tatal,  pregando  a  presença  do  Estado  para  eliminar  a  concorrência  ou  completar


                            seus  esquemas  industriais  falhos  ou  de  sobrevivência  precária,  em  nome  da  menos



                            desrespeitável  categoria  de  pseudonacionalismo.






                                               Felizmente,  existe  no  próprio  organismo  da  emprêsa  estatal  mal  formada  e


                            mal  dirigida  o  germe  de  seu  desaparecimento.  A  corrupção,  que  nessas  emprêsas


                            vai-se  tornando  algo  de  tão  público  e  tão  intolerável,  levará  o  povo,  em  breve,  a


                            exigir  um  processo  de  expurgo  e  purificação.  Se  no  universo  da  livre  emprêsa  e  do



                            capitalismo  há  abusos  e  crimes,  em  busca  de  ganho  e  de  lucro,  que  o  poder  público


                            luta  por  coibir  e  contra  os  quais  deve  cada  vez  melhor  se  armar,  para  punir,  e  que


                            o  próprio  consumidor  pune,  com  o  desprêzo  que  conduz  à;  falência,  no  “cercado”


                            das  emprêsas  estatais  e  do  semi-socialismo,  todos  os  instintos  do  homem  mau  são


                            canalizados  para  a  corrupção  e  o  nepotismo  que  envenenam  o  organismo  inteiro  da


                            emprêsa,  incapaz  de  criar  defesas  automáticas  ou  reações  capazes  de  eliminar  os



                            parasitas,  que  o  condenam  à  destruição.






                                                                                                O  SOFISMA  DA  EMPRÊSA  ESTATAL






                                                Não  cabe  aqui  a  crítica  de  tódas  as  teses  que  justificam,  em  têrmos  políticos,


                            a  estatização  da  energia  elétrica  e  de  outros  setores  da  economia.  Elas  são  quase



                            sempre  artigos  de  fé,  impermeáveis  à  análise  lógica.  A   experiência  democrática  clas­


                            sifica  como  sofisma  evidente  a  afirmação  de  que  a  emprêsa  privada,  ainda  que  eco­


                            nomicamente  profícua  e  sadia,  resulta,  muito  freqüentemente,  em  socialmente  de­


                            plorável,  enquanto  a  emprêsa  pública  corresponde  sempre  a  um  objetivo  de  ordem


                            social  que  não  se  pode  medir  pelo  dinheiro.  Ao  contrário,  no  mundo  democrático,  que


                            o  “neoliberalismo”  começa  a  reerguer  das  ruinas  do  nazi-fascismo,  o  radical-socia­



                            lismo,  do  “fron-populaire”  e  do  trabalhismo-socialista,  só  em  casos  excepcionalissi-


                            mos  se  pode  aceitar  a  função  pioneira  de  um  Estado  empresário.  Nesses  casos  singu­


                             lares,  a  opção  entre  o  agente  privado  e  o  público  deve  ser  feita  em  função  da  efi-
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